A vulnerabilidade social faz mal à saúde do coração

Vulnerabilidade implica em situação de risco. Embora a vida seja risco (por isso conseguimos suportar tantas situações difíceis, e temos recursos adquiridos ao longo da história da espécie), também podemos sucumbir em determinadas situações agudas de estresse ou ao desgaste constante de uma situação crônica estressante.


Stress significa reação do nosso organismo a uma situação adversa física, química ou psíquica. Desde sempre vivemos adversidades, e nosso organismo reage liberando hormônios como adrenalina, noradrenalina e cortisol, nos preparando para situações de luta e fuga.


Estamos em plena reação de alarme, tão necessária à sobrevivência. Apesar disso, atualmente sabemos que as emoções afetam o coração e vislumbramos esta ocorrência, uma vez que as emoções mudam nosso metabolismo, influenciando nossa percepção do mundo e determinando nosso comportamento e nossas escolhas.


Na atualidade, vivemos grandes atrocidades que nos deixam vulneráveis. Há um aumento nos casos de abuso infantil, uso abusivo de álcool e drogas, famílias destruídas devido à dificuldade de lidar com frustrações, com a realidade como se apresenta. Há também as catástrofes da natureza, como inundações, desmoronamentos, além da pandemia. Tudo isso causando muitas mortes, favorecendo a depressão e a síndrome do coração partido que é uma reação psíquica.


Diante dessa realidade, há mais arritmias e anginas, pois o coração reage às vasoconstrições causadas pelo estresse, fazendo mais força para bombear o sangue. Há um aumento de ataques cardíacos. E como fica o ser humano nas situações de guerra?


Hoje estamos assistindo aturdidos a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Pensando em inconsciente coletivo, na história da espécie, temos um preparo milenar para enfrentarmos situações deste tipo. No entanto, apesar deste preparo, os que não sucumbirem pelos problemas cardíacos que podem surgir e sobreviverem à crueldade humana, às balas das armas, aos estupros, à fome, separações e todas as outras formas de violência, terão sequelas pós-traumáticas, como neuroses de guerra, outras doenças oportunistas que podem surgir, enfim, após cada situação desta, o ser humano se transforma.


A luta pela sobrevivência, pela liberdade, sempre estará presente. Como resultado temos muita aprendizagem, resiliência ou morte. Só espero que a aprendizagem nos leve a amar mais, sermos mais solidários e menos gananciosos. Lição difícil de ser aprendida! A falta de amor leva à guerra, à destruição. Lembro-me do título do livro de um cardiologista já falecido “Quem ama não adoece”. Quem não adoece morre de velhice. Como é difícil morrer de velhice hoje em dia.


Texto escrito pela Profª. Dra. Denise Hernandes Tinoco


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