Insuficiência Cardíaca: os cuidadores também precisam de tratamento

Quando trabalhamos com pacientes com Insuficiência Cardíaca podemos nos deparar com um cuidador. Normalmente é alguém da família ou alguém contratado para acompanhar e cuidar do paciente.

Na maioria das vezes o profissional é um técnico em enfermagem, que por mais que tenha se preparado para assumir a função também precisa de cuidados.


A Organização Mundial de Saúde define saúde como “bem-estar físico, psíquico e social. Não é ausência de doenças ou sintomas”. Por isso, é necessário preservar o bem-estar do doente e do seu cuidador.


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Como deve ser o cuidador do paciente com Insuficiência Cardíaca?


O profissional que cuidará deste tipo de paciente precisa ter vocação, paciência, dedicação e acolhimento. Ter vocação implica em gostar da sua profissão, ter aptidão e ter um sentido para a vida por meio dela.


Caso não tenha essa aptidão, não terá paciência, dedicação e disponibilidade para acolher alguém diferente. Muitas vezes o paciente será implicante, exigente e com outras características que nem sempre agradam.


Provavelmente, o cuidador seja alguém da família do doente que vai ter que aprender a lidar com a situação.


E o psicológico do cuidador, como fica?


Muitas pesquisas já provaram que essa profissão, assim como outras da área da saúde, podem levar o profissional à síndrome de Burnoult. Membros da família que estão no papel de cuidadores de pacientes com Insuficiência Cardíaca também podem desenvolve-la.


Nessa doença, a pessoa apresenta depressão por descrença, não por culpa. Perde a crença no ser humano, na própria profissão e esgota-se. Por isso o nome Burnoult, que quer dizer “queima de energia”.


Como é feito o tratamento do cuidador do paciente com Insuficiência Cardíaca?


A síndrome de Burnoult é muito séria, podendo até levar a pessoa ao suicídio. Sendo assim, é aconselhável que o cuidador faça Psicoterapia individual ou de grupo, ou pelo menos sessões de orientação e apoio psicológico.


É também aconselhável que faça exercícios físicos, ioga, meditação. Deve escolher a atividade que lhe for mais prazerosa, pois precisa se reabastecer para continuar seu trabalho. Precisa aprender a respeitar seus limites e horários, pois senão sucumbe.


É necessário trabalhar em Psicoterapia a questão da perda, pois muitas vezes vai passar por isto em sua profissão ou na relação com seu familiar doente.


O vazio existencial que ocorre é enorme, sensação de impotência e às vezes alívio, podendo emergir culpa. O cuidador do paciente com Insuficiência Cardíaca precisa entender seus limites para não entrar em crise.


Cultivar a espiritualidade é muito importante, pois vai acarretar em bem-estar e ajuda no sentido da vida.


Algumas pesquisas mostram que, quando há perda, o cuidador pode apresentar doenças no trato respiratório (resfriados, gripes, pneumonia).


De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa, isso ocorre pelo fato do pulmão ser receptor da tristeza e melancolia. A psicossomática nos mostra que os resfriados substituem o choro que não aconteceu e que precisa acontecer, pois o processo de luto é muito importante.


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Dra. Denise Hernandes Tinoco

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